Escolas de São Paulo recusam o meu filho autista.

autistadeveestudar

Esse relato tem o intuito de ajudar e encorajar os pais de crianças especiais a não se submeterem à recusa de matrícula para os seus filhos. Vamos compartilhar!

 

Julho de 2016: Ano muito marcante. 

Recebi o diagnóstico que o meu filho de 2 anos e meio (agora com 3) é autista. O meu mundo poderia desmoronar naquele instante, tinha motivos o suficiente para me abalar, me excluir, me afastar… mas juntei todas as formas que tinha com a minha família e amigos que sempre nos apoiaram e abordamos essa condição de uma maneira leve, desmistificada, autêntica e real. Isso, para que o nosso filho, tenha orgulho de nós, pais, quando começar a entender essa situação a qual sofre um ENORME PRECONCEITO. SIM! EM PLENO 2017 ISSO AINDA OCORRE. E MUITO.

Sem nenhuma informação, mas com muita vontade de proporcionar o melhor para ele, fomos atrás de uma escola mais “inclusiva” e menos “rígida”. Não seria uma escola especial, mas uma escola onde o diferente é tratado com muito respeito, acolhimento e amor. Ele já estava em uma escola, a qual temos imensa gratidão, mas não achamos que ele seja plenamente feliz.

A primeira NEGATIVA na matrícula, após passar por todo o “processo seletivo”, foi na Escola VIVA, localizada na Vila Olímpia, em São Paulo. Após uma “vivência” com o meu filho, a instituição alegou que ele não poderia participar da turma pq já haviam muitas inclusões na Ed. Infantil. Sofremos calados, achamos que essa recusa era comum e que poderia acontecer. (ainda bem que não!)

 

Abril de 2017: Ainda em busca da escola, encontramos uma que pareceu corresponder aos nossos valores (QUE ENGANO!). A Escola Morumbi, localizada no bairro de Moema, em São Paulo,  nos recebeu prontamente na primeira visita e inicialmente foi tudo tão perfeito, que parecia estar em outro país. A coordenadora apresentou a escola, mostrou a suposta classe que seria do meu filho, mostrou os brinquedos, a linda proposta pedagógica, o número de funcionários, disse que haveriam vagas para o período da manhã e tarde…. até que… contei sobre o diagnóstico do meu filho. Obviamente, a resposta foi o silêncio. O tão esperado silêncio constrangedor. Ela sugeriu então que o meu filho fizesse uma vivência com a sala no período da tarde. Vejam: ele estava comigo na escola e MUITO, MUITO FELIZ em participar desse ambiente. Precisava do que além disso?

Ingênua, aceitei que ele passasse por essa experiência, mesmo sem entender o tal motivo. O que seria analisado? Se ele falava? Se ele brincava? Interagia com as crianças?

Após uma semana (no caso, ontem, 26 de abril), tivemos a infelicidade (ou felicidade) de estar mais uma vez na escola. As duas coordenadoras “assistiram” o Miguel. Parecia uma experiência com um animal do zoológico, para saber como ele se comportaria com o restante dos 4 companheiros. Sim! 4 alunos!

 

A devolutiva:

Escola:  Esse é um momento muito delicado, o seu filho é um QUERIDO (fora de contexto), tem um olhar lindo e merece ter muitos estímulos. Até o último momento, ficamos na dúvida se ele poderia ou não entrar na escola, mas realmente não conseguimos absorver. NÃO TEMOS VAGAS PARA INCLUSÃO nessa turma.

Eu: Ué! Mas na primeira visita tinham vagas. Agora não tem?

Escola: Infelizmente não.

 

O resultado:

A criança saiu completamente frustrada da escola, dizendo que queria ficar mais e voltar. Os pais (eu e o meu marido), angustiados, revoltados e querendo fazer algo para que esse tipo de situação PARE DE ACONTECER!

Que pena, que pena mesmo, que essas escolas não tiveram a oportunidade de conhecê-lo. Um dos meninos mais doce, carinhoso e inteligente que já conheci até hoje. Que sorte a dele (e a nossa) por não pertencer a um local onde ele não é bem-vindo.

As providências que tomamos frente a este fato: notificação à Escola Morumbi, denúncia à Diretoria de Ensino de São Paulo e ao Ministério Público.

Peço a ajuda de vocês para compartilharem essa publicação! Vamos usar a #autistaDEVEestudar e tomar as providências para que essas crianças tenham garantido o seu direito legal:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm

 

Que essa minha exposição abra precedentes para que outros pais também externalizem a sua dor, anseios e dificuldades e denunciem!
Juntos somos mais fortes! Menos acusação, mais empatia!

#autistaDEVEestudar

 

–> Aproveito para compartilhar os sites de denúncia em São Paulo:

 

 

 

Obrigada!

Fernanda Poli
Fernanda Poli
{publicitária, paulistana e mãe}

48 Comentários

  1. Claudia Ortiz disse:

    Fe, minha linda. Estou emocionada com seu texto. Que coragem sua. E que sorte do Miguel ter uma mãe tão especial, tão cheia de força. Inacreditável que escolas ainda pensem dessa maneira. Vocês vão encontrar um lugar bacana e que mereça receber o seu garoto tão especial!

  2. Mariana Fuchs disse:

    💙💙💙💙 chorei 😭

  3. Maria gorete neves disse:

    Lamentavel!!!
    Minha empregada há 22 anos tem um filho de 9 diagnosticado autista, quando teve tds os relatos , continuou com ele na escola municipal de Francisco Morato, onde ela mora e passei a dar as quintas feiras pra ela trase-lo pra São Paulo o de o convênio ao qual o marido dela trabalava passou a dar assistencia piscologica e fonoaudiologica pra ele, hj o marido desempregado perdeu o direito do cinvênio, mas nem por isso o garoto perdeu o direito ao atendimento tds as quintas ainda no mesmo lugar que já tinha o acompanhamento!!! As escolas publicas podem não dar o suporte ideal mas não negam a criança!!
    É um absurdo ver que isso acontece, é sinal que falta muito preparo até nas melhores escolas caras de SP pra cuidar o ser humano!!!
    Pena!!!!

  4. Anna disse:

    Sugiro fazer check-in em uma das escolas em cada republicação das suas denúncias bem como avaliar com 1 * , pois muitos pais pesquisam antes da matrícula e esse absurdo deve ser DENUNCIADO um milhão de vezes!!! Parabéns

  5. Patricia disse:

    Fernanda, meu filho estuda na escola Morumbi e tem recebido toda a atenção, carinho e competência da equipe da escola. Fiquei muito surpresa com o seu relato e gostaria de me colocar à disposição para conversarmos. Um grande abraço! Patricia

  6. Mariana disse:

    A escola da minha filha é a Capítulo 1 na vila Mariana. Excelente escola e trabalha sim inclusão. Tem alunos autistas, com down tb. Eu gosto bastante de lá .

  7. Gigi Bastos disse:

    Passei por muita discriminação com o meu filho. Foram momentos de muita humilhação e tristeza. As denúncias que fiz foram arquivadas, principalmente porque nos momentos discriminatórios eu estava mais preocupada em defender o meu filho do que constituir prova contra as escolas. Mudei de cidade em busca de inclusão. Atualmente meu filho está em uma escola inclusiva não por respeito à determinação legal mas por questão de filosofia religiosa da escola para minha sorte. 🙏🏻 Caso contrário ainda estaria em busca de efetiva inclusão. Solidarizo-me com a sua dor. Ainda falta muito para a inclusão ser verdadeiramente implantada. Teve escola em que me disseram (depois que meu filho já estava matriculado e em adaptação) que já tinha um deficiente na turma -cumprindo a cota – e não queriam outro. Como continuar em um colégio assim? Em outra pagava o integral mas ele só podia frequentar 1h/1:30h por dia e a matrícula só no turno da tarde era negada, ou seja, a escola cobrava o integral mas ele tinha que frequentar menos que o parcial. Em visível enriquecimento ilícito do estabelecimento de ensino. O meu filho adora frequentar a escola, adora interagir com outras crianças, música e esportes, cada vez que tinha que sair de um colégio por discriminação, meu coração sangrava de tristeza. Nossos meninos não compreendem a maldade alheia, são puros, inocentes e vulneráveis. As escolas ao pensarem apenas no aspecto econômico não percebem como as crianças diferentes enriquecem o ensino das crianças neurotipicas “normais” porque assim aprendem a formar uma sociedade que respeita o diferente. Na realidade, todos somos diferentes. A criança que não aprende a conviver com o diferente será o adulto que discrimina.

  8. Aline disse:

    Tenho um filho autista de 4 anos e estou passando por esse problema.
    Sinto que a qualquer momento a escola irá me comunicar que ele não poderá ficar na escola. E tem preconceito sim é não só pelas pessoas mas pelos educadores também.
    É um direito dos nossos filhos conviverem com outras crianças, claro tendo o seu tratamento específico para o quadro mas também o convívio social com todo tipo de pessoas. Intendo muito bem a dor dessa mãe pois a minha é a mesma.

  9. raquel disse:

    Eu também tive o mesmo problema com meu filho, que foi recusado em 15 escolas particulares, aqui na minha cidade. Ele tem,além de autismo, deficiência visual. Está na escola publica e também estou na justiça solicitando uma professora especializada na sala com ele. O processo é lento, difícil, mas tenho certeza que vale a pena, pois ele vai ter a chance que merece e pode abrir espaço para outros pais conseguirem o mesmo. O Brasil é muito conservador , está longe de ser um pais inclusivo, mas cabe a nos pais lutar por eles. Processe a escola por infringir a Lei , por causar danos morais e crime de preconceito. Todos eles cabem neste caso. As escolas como empresa tem OBRIGAÇAO de se adequar, pois estas leis vem de 1999, a LBI só veio reforça-las.

  10. Mariana Voos disse:

    Fernanda, que desespero ao ler seu relato!!! Talvez possamos marcar um grupo de conversa com pessoas que já passaram por isso… que escola vc pensa em ir? Pensa em abrir sobre o diagnóstico no processo de matrícula? Já conversamos sobre isso no grupo “mães raras”, da Fernanda Vidigal, se quiser podemos conversar lá…

  11. Luciana sabonge disse:

    Estou passando pelo mesmo problema em são Jose dos Campos … 6 escolas particulares de alto nivel recusaram… meu filho tem a mesma idade do seu. tambem fiz denuncia, mas a propria Diretoria de Ensino tambem quis me convencer a Desistir de colocar meu filho em uma escola sem estrutura… Entrei com notificação extra judicial a escola que escolhi e hoje brigo para ter a assistente terapuetica… a luta nao termina. Esta semana vonsegui fazer observação do meu filho e descobri que a escola o “coloca para dormir ” com mais um menininho down… o exclui das atividades curticulares.. nao acho outra escola… Cansativo demais! Pagando advogada mesmo. Diretoria de Ensino Nao adiantou p mim

  12. Arethuza Pontes disse:

    Muito triste e angustiante essa situação. Sou coordenadora de uma escola particular no interior da Bahia e mesmo não tendo um grande espaço e equipe multidisciplinar ou especializada, estudamos muito e hoje a inclusão pra nós é algo tão natural e presente que ver algo tão maldoso nos choca. E olhe que cidade pequena comparada a São Paulo. Minha solidariedade, sinto não poder ajudar…

  13. Jhenifer Machado disse:

    Oi meu filho foi diagnosticado com autista com 2 anos e meio..hj depois de muita luta consegui uma creche pra ele..mais mesmo assim ja faz um mês e ele ainda está no período de adaptação entao nao sei ele vai oii nao continuar na creche .e muito triste o preconceito que eles sofrem.

  14. Monica disse:

    Fernanda eu sou a Mônica Mendes passei por isso dois anos atrás até fazer um desabafo nas redes sociais e ter um movimento absurdo
    Eu hoje posso dizer que conheço tudo sobre esse assunto e as escolas de São Paulo
    Me coloco à disposição por favor entre em contato comigo se precisar de qualquer coisa
    Veja nos posts antigos do meu Instagram a minha denúncia @monicamendes
    Um beijo
    Mônica

  15. Amanda disse:

    Olá Fernanda, tudo bem?
    Eu tenho um sobrinho que estuda no COLÉGIO ZANINI em Santo Amaro. Estamos muito felizes com o trabalho que estão realizando com ele e com outras crianças de inclusão. Não é uma Escola Especial, é um Colégio regular, muito acolhedor e que está disposto a aprender e crescer a cada dia na inclusão junto com os pais e os alunos.
    Tenha força e muito fé que Deus está presente todos os dias em nossas vidas, principalmente quando nos tornamos mães! Lute e faça de tudo por seu filho!
    Estamos todos juntos nessa, em busca de mais espaços e consquistas.

  16. Luiza disse:

    Olá … hoje em dia as escolas por lei devem oferecem acompanhamento terapêutico para que as crianças tenham a melhor experiência possível dentro da escola …! Os pais podem contratar um profissional especializado (psicólogos ) para ser AT de seus filhos ,também , caso desejem e possam. Do contrário a escola é obrigada a oferecer. Essa luta deve ser uma luta de todos nós ….afinal todos ganhamos com a experiência da inclusão.

  17. Sandra Maria Figueredo disse:

    Sou prof De educação infantil da rede pública e este ano estou tendo o prazer de ter em.minha sala de aula um.aluno de 4 anos autista ,embora ainda não tenha um laudo eu estou pesquisando e indo atrás de toda qualquer informação sobre o assunto para poder ajuda lo e de alguma forma fazer parte deste mundinho dele tão particular. Ele é um amor, estou encantada com ele!Todos os alunos da sala estão tentando interagir e respeitam quando ele prefere ficar sozinho.Tenho 23 anos de Magistério, já tive uma aluna autista e agora este .Sao crianças adoráveis, puras e nos ensinam tanto…… Depois de três meses de aula ele está me olhando e sorrindo pra mim,segundo a psicóloga isso é fantástico e significa q um vínculo de confiança foi estabelecido comigo,Eu estou super feliz de ver como ele está se desenvolvendo a cada dia e quero poder contribuir ainda mais.Estou fazendo uma pós graduação em neuropsicopedagogia ,quero entender pra conseguir interagir ainda mais com o R.Desejo de coração q todas as crianças autistas encontrem uma escola q as aceitem como qualquer outra criança porq elas são iguais a nós, todos temos nossas dificuldades, limitações e precisamos de carinho e apoio não é mesmo?Grande beijo a vocês mamães guerreiras e todo meu respeito.

  18. Adriana disse:

    Fernanda , que pena saber que isso ainda aconteça!!
    Trabalho em creche publica ha 20 anos e posso te afirmar que lá as crianças de inclusão são muito bem recebidas e muito bem tratadas .
    Fui cuidadora de um garoto com Down por 3 anos e por quase um ano de um Príncipe Autista, confesso que que foi a melhor experiencia da minha vida.. Lute pelo Miguel pois os pais são os verdadeiros escudos para eles.. Um forte abraço Adriana, se precisar conte comigo pois eu estarei com você ..

  19. Juliana disse:

    Oi Fernanda, Tudo bem?
    Vi sua reportagem na Uol agora , sou mãe também e sinto muito pelo que está passando.
    Até o ano passado meu filho estudava na Emei Nelson Mandela no bairro do Limão, por ser pública muita gente fica com medo mas ela é super conceituada, tem uma didática ótima com as crianças e é inclusiva! Se não fosse pela idade, meu filho continuaria nela sem dúvidas.
    Procure por eles, procure conhecer. Eles tem facebook, tem várias reportagens sobre a escola na Globo, Band, SBT. As vezes vale a pena dar uma olhada apesar de talvez ser contra mão pra você.
    Bjss

  20. Fabiana disse:

    Recomendo as escolas com a metodologia Waldorf, infelizmente não são baratas, mas o modelo construtivista e humanista inspira.

  21. Sandy dos Anjos disse:

    Tenho a oportunidade de conhece-lo, um menino doce, maravilhoso, feliz e lindoooooo, que me trata com muitos beijos e abraços carinhosos.
    Devemos repensar no pais que diz ser tão receptivo e acolhedor que é o Brasil, pois se fosse tão bonito como dizem não haveria a preocupação com as diferenças, aonde esta a educação para todos.
    Chega de tanto julgamentos o mundo precisa de Amor, e os autistas é uma estrela do céu que Deus enviou para tornar o mundo mais bonito.
    #TodosMerecemUmaEducação#Digna

  22. Josilene Lombardi disse:

    Parabéns minha linda, feliz o Miguel por ter uma mãe forte e inteligente. Já compartilhei seu poste no face e tenho certeza que você vencerá essa batalha, pq seu filho e todos os outros filhos e filhas autistas têm o direito a inclusão escolar. Sou pedagoga, já tive alunos autistas e hoje sou vovó de um menino autista e estou ao lado de quem luta pelos direitos dos nossos anjos.

  23. Jessika disse:

    Oi, sou cuidadora de uma criança autista de 5 anos, trabalho em uma creche, ela tem TEA severo e ganhar a confiança dela foi difícil mais hj ela está entrando em sala e deixa as crianças se aproximarem e participa das dinâmicas ( no começo foi muito difícil e hj é uma Vitória por dia ) fico muito feliz quando vejo mães como vc Parabéns!

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